terça-feira, 18 de setembro de 2007

Ainda o Brasileirinho

Algumas pessoas reclamaram ausências de nomes significativos da história do choro em Brasileirinho. É preciso lembrar que o filme pode ser visto quase como uma reportagem a partir da comemoração do Dia Nacional do Choro, que culminou com um concerto maravilhoso no Teatro Municipal de Niterói. Esse ponto de partida e alguns outros fatores (quem já fez algum tipo de produção sabe que são muitos) devem ter contribuído para as omissões de que o filme vem sendo acusado.
A meu ver o problema está numa inoportuna narração que aqui e ali irrompe sem muita finalidade, a não ser justamente tentar passar um certo cunho didático inadequado e desnecessário. Isso talvez tenha deixado no ar a impressão de que, em vez de um simples recorte, o filme pretendia ser um estudo definitivo e biográfico sobre o choro, quando é possível que não tenha passado de um registro da maior dignidade sobre a música talvez mais representativa do Brasil.
Só queria que mais filmes assim "falhos e omissos" fossem feitos todos os dias, para neutralizar um pouco o festival de baixarias (sem trocadilho) que assola nossa mídia.
Aliás, foi preciso vir da Finlândia um sujeito com sensibilidade para perceber e mostrar para nós o que temos de melhor; gravar, por exemplo, registros inacreditáveis como aquela travessia de barca para Niterói, com o melhor time de músicos do país a tocar de graça para afortunados e incrédulos ouvintes.
Ou outras cenas memoráveis que o filme nos traz para mostrar aos brasileiros o que é a cultura brasileira.

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